quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sonhos cor-de-rosa

A noite esteve aqui desde o princípio. Debaixo dos lençóis de flanela sempre houve noite; debaixo dos guarda-chuvas em que nos abrigávamos havia noite; debaixo das camas e das mesas para onde levávamos os brinquedos improvisados houve sempre noite.

Se a noite deixasse de ser noite, ainda assim existiria. Porque haveria sempre lençóis de flanela; guarda-chuvas; camas e mesas (porém, agora sem brinquedos). Haveria sempre o sono como cicatriz da noite que existiu. Uma cortina de luzes estreladas no sombreado dos meus olhos entreabertos. Para que hei-de adormecer se quero sonhar acordada?

Foto - Yellowbird